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Muitos têm de recorrer às atividades temporárias 05/03/2007 Atuação em eventos atrai recém-formados e ajuda a compor a renda.
A bióloga Sabrina Muñoz, de 25 anos, já participou de duas importantes feiras de negócios em São Paulo desde julho do ano passado, quando terminou a faculdade. Mas nenhum dos eventos era da área biológica. Sabrina trabalhou como recepcionista nos estandes das feiras. Foi uma alternativa de trabalho temporário, enquanto busca emprego na área de sua formação. “Mandei currículos para institutos, laboratórios e zoológicos, mas ainda esbarro na falta de experiência”, disse.
A oferta de dinheiro rápido dos empregos temporários atrai jovens como Sabrina. Em feiras grandes, as recepcionistas podem receber até R$ 150 por dia de trabalho. “É uma oportunidade de remuneração que não dá para deixar passar”, afirma a bióloga. Mas, mesmo com o retorno financeiro rápido, ela se sente frustrada. “Sou apaixonada pela natureza, estudei para trabalhar com isso e não consigo.”
Na Semana Internacional da Indústria Têxtil, que ocorreu na última semana em São Paulo, houve contratação de trabalhadores em caráter temporário. De acordo com os organizadores da feira, muitos desses trabalhadores são jovens universitários ou com ensino superior completo.
É o caso da psicóloga Camila dos Anjos, de 22 anos, que se formou há dois e nunca atuou na área. “Durante a faculdade precisei trabalhar para pagar os estudos.” Camila sonha em trabalhar com psicologia organizacional, mas acredita que não poderá abandonar tão cedo as feiras. “Sei que não dá futuro, mas é o que me sustenta”, explicou.
A falta de experiência também foi um problema para a fonoaudióloga Thaís Padilha, de 22 anos, encontrar uma colocação no mercado. “Meu curso era integral e não pude fazer estágio na área”, explica. Com o diploma na mão desde o final do ano passado, mas sem emprego, ela viu nas feiras uma possibilidade de renda. Participa de até duas por mês, onde recebe R$ 600,00 por quatro dias de trabalho.
A rotina do trabalho é desgastante: dez horas por dia de pé, sorrindo e orientando os visitantes. Até o final do ano, garante a fonoaudióloga, pretende abandonar o dia-a-dia nos eventos. “É um trabalho muito incerto”, justifica. (Da Agência Estado)
Fonte: Correio Popular
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