
Clipping Eletrônico - Departamento de Comunicação
Como conviver em harmonia com a tecnologia no trabalho
19/04/2006
Déficit de atenção e risco no vazamento de informações. Essas duas questões obrigam executivos e empresas a viverem nos dias de hoje um momento especial. Numa era onde nunca a tecnologia se tornou tão presente, imprescindível e responsável por um fluxo de informações cada vez mais rápido, o mundo corporativo começa a rediscutir questões básicas como relacionamento pessoal, foco no trabalho, autodisciplina. É unânime o fato de que a tecnologia só ajuda. Engana-se quem pensa que ela atrapalha, mas se não for devidamente empregada causa dispersão no trabalho e traz sério risco no vazamento de informações que pode beneficiar a concorrência.
"Defino o problema atual como déficit de atenção. Para solucionar isso só vejo uma fórmula: listar as atividades para as quais devemos direcionar nossa atenção ao longo do dia e determinar um tempo para realizar cada uma delas", afirma categoricamente Cícero Domingos Penha, diretor de talentos humanos do Grupo Algar. A empresa, com onze mil funcionários, tem uma política de total liberdade relativa ao uso da tecnologia, mas enfatiza em campanhas periódicas de conscientização que ela deve ser praticada com liberdade e responsabilidade.
Com exceção do call center, todas as demais áreas e colaboradores têm acesso liberado à internet, sem restrição à entrada a qualquer site. Penha garante que essa postura não traz qualquer prejuízo ao grupo. "Como nossa administração é baseada em objetivos, se o colaborador não cumprir suas metas, não receberá bônus ou remuneração variável. É preciso atenção no cumprimento do trabalho constantemente", diz.
A SulAmérica Seguros, com 5.600 funcionários, optou por uma postura diferente. Acredita ser fundamental exercer uma política restritiva à internet não apenas para coibir possíveis ataques de vírus, mas também para assegurar a segurança da informação e manter colaboradores focados no trabalho.
"Contar apenas com o bom senso não resolve porque ele é relativo", justifica Maria Helena Monteiro, vice-presidente de recursos humanos e administração da empresa. Essa postura foi instituída dois anos atrás, depois de a empresa ter cansado de ter sua rede congestionada por spams, cartões de Natal, acessos em excesso a sites de religião e sexo, por exemplo -nada relacionado ao trabalho. A empresa faz campanhas periódicas de conscientização do uso da tecnologia, mas também investe uma boa soma de dinheiro, cujo valor não é revelado, em sistema de proteção à rede e bloqueio a determinadas categorias de sites.
Já no momento da contratação, o funcionário da empresa assina um termo de responsabilidade sobre o uso da internet e diz estar ciente que a empresa pode verificar o conteúdo do seu computador, além de receber uma relação com as normas de conduta utilizadas. A executiva explica, porém, que essa política não impede o uso da internet na empresa. "Temos consciência de que nossos funcionários precisam resolver várias questões pessoais ao longo do dia, por isso liberamos sites de agências de notícias, viagens, companhias aéreas, por exemplo", afirma.
No Santander-Banespa, os funcionários também são sempre informados de que a internet é uma excelente ferramenta de trabalho e que seu uso durante o horário de expediente deve ser priorizado para esse fim, embora vários tipos de site sejam liberados, a exemplo da SulAmérica. Com exceção de algumas áreas, onde o sigilo da informação é imperativo e sequer há internet ligada para se evitar vazamento de dados, nas demais o funcionário só terá acesso a essa tecnologia no caso de autorização de seu gestor direto.
Na avaliação de Álvaro Teófilo, gerente executivo da segurança da informação do banco, três pontos norteiam essa política da empresa. O primeiro e mais importante refere-se à educação do colaborador. O funcionário precisa ser informado sobre processos e normas adotados pela instituição financeira. "Por trás de qualquer endereço eletrônico existem pessoas, que podem ser ou não bem intencionadas e alerta
Autor: Margareth Boarini
Fonte: Valor Econômico